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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

The Order 1886

God Save the Order

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Com pena minha The Order 1886 é daqueles casos onde pouco há a dizer sobre o jogo, mas, há muito a dizer sobre o que ele representa para a indústria dos videojogos. Mas isso é uma história para um outro texto que não este. O jogo tem lugar num período histórico fascinante de grande interesse, a era Vitoriana no reino unido, que corresponde ao reinado da rainha Victoria até à data da sua morte em 1901. Foi uma era de grandes mudanças e de grande progresso social, cultural e tecnológico, e é também uma era envolta de misticismo e romantismo. Mas não me vou alongar, até porque o objectivo deste texto não é uma aula de história, mas sim fazer-vos perceber que existem na nossa história poucos períodos, tão interessantes como este, para serem explorados.
The Order (1)
The Order 1886 conta-nos a história de uma antiga ordem de cavaleiros, que na verdade são os cavaleiros da távola redonda do Rei Artur, que servem a rainha e cuja principal missão é controlar os half breed, uma espécie de lobisomens. Esta é uma batalha que se tem vindo a travar há imensos séculos, mas que os humanos conseguiram finalmente começar a vencer devido aos avanços feitos durante a Revolução Industrial. A mistura deste universo alternativo com elementos sci-fi e steampunk e a cidade de Londres num dos seus períodos históricos mais interessantes, deveria dar um resultado “fabulástico”. Mas, a verdade é que The Order 1886 consegue deitar por água abaixo aquele que deveria ser o seu ponto mais forte. O jogo explora muito pouco do potencial histórico e ficcional que inicialmente parece ter. Com uma cidade cheia de monumentos relevantes e mundialmente conhecidos, o melhor que a Ready at Dawn conseguiu fazer foi colocar-nos da ponte de Westminster onde podemos apenas vislumbrar ao longe o conhecido Big-Ben. Este é para mim o maior problema deste título, não aproveitar quase nada do seu potencial no que toca à relevância do período histórico onde se insere. A não ser as referências mais do que previsíveis a Jack The Ripper.
The Order (2)
No entanto, verdade seja dita, visualmente é deslumbrante, um verdadeiro exemplo daquilo que deveria ser visualmente um jogo desta geração. Pode parecer cliché e um pouco idiota mas há realmente alturas em que se alguém olhasse para a televisão com menos atenção, poderia muito bem dizer que era um filme, e não ficaria surpreendido. Apesar do potencial da cidade de Londres não ser explorado, o interior dos edifícios “exploráveis” e as ruas por onde passamos contam com um nível de detalhe impressionante. Pena certos pormenores deliciosos passarem por vezes completamente ao lado por tudo parecer muito igual graças à palete de cores quase monocromática. Se por acaso sofrerem de daltonismo é o jogo ideal, vão perder muito pouco ou nada da experiência visual.
The Order (3)
Gostava de vos falar da jogabilidade de uma forma elaborada e explicar-vos tudo o que podem fazer às vossas armas e aparelhos estranhos, mas a verdade é que há muitíssimo pouco para dizer. Já jogaram outros third person shooters como Gears of War ou Unchartedou até mesmo The Last of Us? Bem então já sabem o que esperar, até acrescento que não esperem tanto, porque o jogo é mesmo o mais básico possível. Correr para ali, escondermo-nos atrás de uma parede, disparar para uns inimigos, trocar de arma, disparar para mais uns inimigos, ver a cutscene e repetir o processo. Basicamente é isto, lá pelo meio temos algumas secções onde temos de usar mecânicas de stealth e algumas secções de plataformas, mas nada que já não tenham visto noutros títulos. Para além disso, os inimigos nunca variam muito e os combates contra os half-breed são super anti-climáticos. Nem as armas fictícias inventadas por Nicholas Tesla são interessantes, ou até mesmo úteis, e acabam por ser apenas mais uma que vocês podem usar.
The Order (4)
Mas há uma particularidade da jogabilidade que não posso deixar de criticar, os quick-time events… A experiência cinematográfica do jogo é muito boa sem dúvida, mas disfarçar a falta de jogabilidade e interacção do jogador com o pressionar de botões sem sentido nenhum a toda a hora torna-se chato, muito chato. Todos os momentos que supostamente seriam o clímax do jogo estão infestados de QTEs em prol da “experiência cinematográfica”. Cheguei ao ponto de pensar “mais valia ser um filme”. Chegar a uma espécie de boss e pensar “ahhh, agora é que vai haver um combate interessante”, e este resumir-se ao pressionar de 4 ou 5 teclas no momento certo é frustrante. Este é a meu ver um dos maiores problemas dos videojogos nos dias que correm e este não é excepção, aliás, é um bom exemplo daquilo que não se deve fazer neste departamento.
The Order (5)
A jogabilidade não é a única coisa básica, a estrutura do jogo e da sua progressão também o são. Mais linear é impossível, mas, não considero isso um problema. Linearidade é uma característica boa quando os jogos são construídos à volta desse conceito. Jogos comoUncharted, por exemplo, são bastante lineares, e isso não faz deles maus, pelo contrário. No entanto, pegando no mesmo exemplo, em Uncharted os confrontos são bastante interessantes e há sempre várias maneiras de abordar determinada situação. Em The Order 1886 nem isso, já que a abordagem a um conflito limita-se a “escondo-me na caixa da direita ou da esquerda?”. Ainda assim não deixa de haver algumas boas trocas de tiros e momentos mais tensos. Em termos de longevidade temos também um problema, no modo de dificuldade normal, sem pressas a explorar o pouco que é possível e a apreciar a paisagem o jogo durou-me cerca de 7 horas. É pouco sem dúvida, mas muito sinceramente diverti-me durante esse tempo. Só tenho pena de o final ter sido claramente apressado, resultando num fim abrupto que nada explica e que deixa muito a desejar.
The Order (6)
Aqui coloca-se a eterna questão da qualidade vs quantidade. O ideal seria os dois, mas nem todas as produtoras têm o privilégio de ser a Valve ou a Blizzard que têm dinheiro para manter um jogo em desenvolvimento o tempo que for preciso. Nesse caso tem de haver um equilíbrio. Equilíbrio esse que The Order 1886 não tem. Apesar dos problemas já referidos o jogo é, do início ao fim, divertido, mas, depois dessas 7 horas há poucas razões para voltar a jogá-lo além dos modos de dificuldade mais elevada, que, para muitos jogadores não justificam uma segunda playthrough. O preço que se pede pelos jogos em Portugal aliado aos baixos vencimentos acaba por tornar este título num mau investimento. Se fizerem a conta por alto são 10€ por cada hora de entretenimento, sai mais caro do que ir ao cinema, e o cinema não é barato. No entanto não posso deixar de referir que o conceito de “um jogo com menos de oito horas é curto” é, além de idiótico e mal fundamentado, mais um Frankenstein popularizado pela rede de alta cultura e expressão artística que é a internet.
The Order (11)
No fim The Order 1886 é um jogo que não aproveita o seu grande potencial em quase todos os aspectos, mas que, é divertido enquanto dura. Infelizmente dura muito pouco. Gosto de pensar que esta é a base daquilo que virá a ser uma boa franquia, já que há imenso para explorar neste mundo de jogo interessantíssimo com uma premissa arrojada. Pessoalmente espero que a Ready at Dawn consiga o financiamento para uma sequela, embora este primeiro capítulo seja um tiro ao lado, há aqui o suficiente para fazer de The Order um jogo de acção de referência.

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