O público de cinema reconhece atores, alguns diretores, pouquíssimos produtores e técnicos, mas não costuma dar grande importância aos críticos.
Alguns deles, como Pauline Kael, Vincent Canby, André Bazin, Leonard Maltin, François Truffaut ajudaram a formar o pensamento crítico sobre o cinema como arte, promovendo seu desenvolvimento. No Brasil alguns dos maiores nomes são os de Paulo Emílio Sales Gomes, Jean-Claude Bernadet e Rubens Biáfora, dentre outros,
No último dia 4 de abril de 2013, perdemos, ao 70 anos de idade, um dos mais importantes e influentes dos críticos que o cinema já teve, o americano Roger Ebert.
Ebert era apaixonado por cinema, como nós. Escrevia sua coluna no Chicago Sun-Times desde 1967, teve programas de TV, em companhia do também crítico Gene Siskel durante 23 anos e foi pioneiro na internet.
Escreveu diversos livros, guias e até roteiros para filmes. Em 1975 tornou-se o primeiro crítico de cinema a ganhar o prêmio Pullitzer. Ganhou também diversos outros prêmios, inclusive sendo indicado a 7 Primetime Emmys, por seus programas televisivos.
Desde 1999, Roger organizava um festival de cinema em Champaign, Illinnois, conhecido como "Eberfest", que cresce a cada ano e terá sua 15ª edição já a partir do próximo 17 de abril.
Como uma homenagem ao seu trabalho, o Listas de 10, reproduz uma lista que ele publicou há um ano no seu Roger Ebert's Journal (link), onde ele escolheu os 10 melhores filmes de todos os tempos. Confira a bela lista do mestre!
1.
Aguirre, a Cólera dos Deuses (Werner Herzog, 1972.
em meados do século XVI, na selva peruana, o espanhol Pizarro lidera
uma expedição em busca da lendária Eldorado, quando um de seus homens,
Aguirre - o louco/gênio Klaus Kinski - consumido pela loucura, sonha
conquistar a América.
Ebert tinha grande admiração e amizade por Herzog, a quem considerava
"o maior visionário do cinema e o mais obcecado pelos grandes temas")2.
Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979. durante a guerra do Vietnã, um capitão
tem a missão para capturar ou assassinar um coronel - Marlon Brando -
que desertou e criou uma tribo onde ele era um deus. baseado no livro
'Coração das Trevas' de Joseph Conrad. Roger
compartilha aqui a visão do "crítico" François Truffaut, que destaca o
filme como um exemplo do prazer e da dor de fazer cinema, devido às suas
dificílimas filmagens e do resultado final, absolutamente vibrante)3.
Cidadão Kane (Orson Welles, 1941.
depois da morte do grande magnata das comunicações, jornalistas
investigam o sentido de sua palavra final, "rosebud", que poderia
traduzir o significado da sua vida.
um roteiro brilhantemente construído e uma direção inventiva, que
surpreende até hoje. é unanimidade nas listas de melhores de qualquer
crítico e, segundo Ebert, "o filme fala por si só", não precisa explicar
sua presença nesta lista)4.
A Doce Vida (Federico Fellini, 1960. uma semana na vida de um paparazzo - Marcello Mastroiani -, entre os ricos e famosos em Roma.
dentre as obras-primas do diretor, "8 e ½" , "Amarcord" e "A Estrada da
Vida", Ebert escolheu este por se identificar mais com ele: "um filme
sobre o tipo de vida que eu sonhava viver, que mais tarde, tornou-se um
filme sobre o tipo de vida que eu estava vivendo e sobre a minha fuga
daquela vida")5.
A General (Buster Keaton, 1925. último
filme dirigido pelo genial Buster Keaton. conta com bom humor a
história de um grupo de soldados da união, que rouba a locomotiva
General do exército confederado e a luta do maquinista para recuperá-la.
único filme mudo da lista e, segundo Ebert, "o melhor filme de Keaton",
que diz ainda: "seus filmes envelheceram melhor que os do seu rival,
Charles Chaplin, ele parece um visitante moderno ao mundo dos palhaços
mudos")6.
O Touro Indomável (Martin Scorsese, 1980.
biografia do campeão de boxe Jake La Motta - Robert DeNiro -, que
destrói a carreira e a família com seu comportamento auto destrutivo. segundo
Ebert: apesar de muitos preferirem "Taxi Driver", este é "o melhor e
mais pessoal dos filmes do diretor, um filme que este afirma que, de
certa maneira, salvou sua vida. é a melhor expressão cinemática da
tortura e dos ciúmes, é o seu Othello")7.
2001: Uma Odisseia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968.
a humanidade encontra um estranho objeto na superfície lunar e, com a
ajuda de um computador super inteligente, vai atrás de respostas. "um
grande salto visionário em sua visão do homem e do universo. uma obra
que surgiu no auge do otimismo tecnológico da humanidade")8.
Era uma Vez em Tóquio (Yasujirô Ozu, 1953. um casal de idosos visita seus filhos e netos na cidade grande, mas estes não têm muito tempo para lhes dar atenção. segundo
Roger, qualquer dos filmes de Ozu poderia estar na lista, pois todos
são universais. e acrescenta: "quanto mais velho eu fico, mais eu
observo como a idade afeta nossos relacionamentos, quanto mais eu penso,
mais este filme tem para nos ensinar")9 .
A Árvore da Vida (Terrence Malick, 2011.
a história de uma família texana na década de 1950, sob a ótica do
filho mais velho, que testemunha a perda da inocência, as lutas com seus
pais e os choques de suas filosofias. além
das qualidades da obra, Ebert reconhece que escolheu este novo filme em
2012 para dar-lhe visibilidade, para fazer propaganda mesmo, o que
seria uma das atribuições dos críticos. "eu acredito que este é um filme
importante e sua estatura só tende a crescer nos próximos anos")10.
Um Corpo que Cai (Alfred Hitchcock, 1958. em San Francisco, um policial aposentado por ter adquirido um trauma de altura, investiga as estranhas atividades da jovem esposa de um amigo. este
filme é uma adição recente à lista, para a qual Roger teve que tirar
outro filme de Hitch, "Notorious". porque "depois de assistir a ambos
durante várias sessões nas universidades, eu decidi que "Vertigo",
afinal, é o melhor entre esses dois filmes quase perfeitos")Veja ainda: "10 Filmes Essenciais por Década"

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