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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Indústria brasileira tem pior desempenho entre 15 emergentes; veja ranking


A indústria brasileira teve, no ano passado, o pior desempenho entre os 15 maiores países emergentes que produzem estatísticas comparáveis, embora tenha se saído melhor do que diversas nações ricas. O setor encolheu 2,7% em 2012, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Achados Econômicos levantou, nos escritórios de estatística de cada país, o indicador oficial que mais se assemelha à Pesquisa Industrial Mensal do IBGE.

A China lidera o ranking de longe, com alta de 10% em 2012. Em segundo lugar aparece a indústria da Malásia e, em terceiro, a da Indonésia, confirmando uma tendência já observada, de que os emergentes da Ásia têm obtido um crescimento bem mais acelerado do que os da América Latina.
O México é o primeiro latino-americano da lista. Como exportador para os Estados Unidos, o país tem sido beneficiado pela recuperação da economia americana.
Entre os 15 países listados, apenas três tiveram variação negativa na indústria: Brasil, Ucrânia e Argentina.
Ricos
A indústria dos EUA cresceu 2,7% no ano passado. Já na Europa, os resultados das maiores economias foram negativos. Houve forte queda em Reino Unido (-2,7%), França (-2,8%), Grécia (-3,5%), Portugal (-4,9%), Espanha (-6%) e Itália (-6,5%). Na Alemanha, o setor encolheu 0,4%. No conjunto da União Europeia, a queda foi de 2,4%. No Japão, houve retração de 0,3%.
Brasil
O economista Rogério César de Souza, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial, vê sinais de recuperação neste ano. Ele concedeu ao blog a entrevista abaixo.
A indústria encolheu ou desacelerou em quase todos os países emergentes. Por que no Brasil foi pior?
Em relação a países desenvolvidos, a indústria brasileira tem um retrato um pouco melhor. De todo modo, a comparação com emergentes é válida porque levanta questões importantes. Temos a questão da economia interna. O consumo das famílias está relativamente bom, mas a indústria vai mal. O serviço e o comércio vão bem melhor.
Nós temos uma crise estrutural. A raiz vem de longe e hoje e está na falta de competitividade. A indústria não consegue competir com alguns produtos importados, por uma conjunção de fatores. Temos as questões ligadas ao custo Brasil, que são a carga tributária, as carências de infraestrutura e logística e outros problemas. Junto a isso tivemos um cenário externo bastante negativo.
Em fevereiro a indústria brasileira voltou a encolher. Até quando a crise persistirá?
Esse dado de fevereiro tem que ser olhado com bastante cuidado. Em janeiro, houve um crescimento bastante forte, mas estava “contaminado por fatores pontuais”. Por exemplo, o setor de caminhões, que está ligado a bens de capital, e automotores cresceram bem, mas porque tinham uma base baixa de comparação.
Depois, em fevereiro vimos exatamente o contrário, ou seja, uma queda justamente nesses setores. Se fosse possível tirar os efeitos pontuais, a indústria não teria subido tanto em janeiro nem caído tanto em fevereiro, mas de qualquer forma o sinal é positivo. A expectativa é de que nos próximos meses ela comece a apresentar resultados mais convincentes.
O ano passado foi tão ruim que é difícil imaginar que vamos ter um resultado ainda mais fraco nos próximos meses. Isso é baseado, em boa medida, na expectativa de um resultado mais robusto da economia brasileira. O cenário externo também está relativamente melhor.
Metodologia
O ranking selecionou os países emergentes com maior PIB (produto interno bruto) e com dados disponíveis e minimamente comparáveis, uma vez que cada instituto de estatística tem sua metodologia particular. A Venezuela e as Filipinas, por exemplo, são maiores do que a Ucrânia, mas não apresentaram indicadores para a indústria em 2012 que possam ser comparados.
Foram considerados emergentes apenas os países que, além de não fazerem parte do G-7 (grupo das sete nações mais desenvolvidas) nem da Europa Ocidental, também não estão ou não estiveram recentemente em guerra civil ou situação política altamente instável, como o Egito.
O Chile, um importante país emergente, ficou de fora por não ter um PIB entre os 15 maiores. Sua indústria cresceu 2,9% no ano passado.

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